Tema da aula: Cidadania
Título: O que é cidadania?
Ênfase: A cidadania como um processo de
construção social baseado fundamentalmente na valorização da educação e na prática
do respeito.
Conteúdo:
Nesta
segunda aula sobre cidadania, será apresentado aos alunos o paradoxo entre o produto
interno bruto brasileiro (o P.I.B.) e o nosso índice de desenvolvimento humano (o
I.D.H.) produzido pela O.N.U. Para tal é necessário deixar claro aos alunos, os
significados, as origens e as metodologias utilizadas para a composição de cada
uma dessas siglas e indicadores.
Objetivos:
De forma
geral o objetivo desta aula é provocar nos alunos a reflexão sobre a discrepância
entre o P.I.B. como um indicador econômico e o I.D.H. como um indicador social,
suas causas e consequências na educação pública brasileira (especialmente no
ensino fundamental e médio).
De forma
específica a discussão sobre o PIB/IDH é colocada para demonstrar a importância
da educação no processo de desconstrução da desigualdade social brasileira, em
função da educação ser o principal indicador do IDH, especialmente por ser um
elemento de transformador dos demais indicadores (renda e longevidade).
Metodologia:
A
metodologia utilizada em todas as aulas será baseada na no conceito da Pedagogia
da Autonomia de Paulo Freire.
As aulas
serão desenvolvidas basicamente através da apresentação e da discussão de
tópicos onde os alunos serão convidados a refletir sobre cada um deles, a
partir de sua realidade, de seus conceitos, de suas representações (visão de
mundo) e expectativas.
A internet
será utilizada como ferramenta de apoio para as aulas dadas em sala, através do
blog sociologiamaisqueeventual.blogspot.com
que conterá: arquivo dos conteúdos discutidos em sala, materiais complementares
e espaço para críticas.
Todos os
alunos serão convidados a participar compartilhando conteúdos, esclarecendo
dúvidas, exercitando a crítica, etc.
Avaliação: Continuada.
Tempo estimado: Uma hora aula
Textos base:
Texto 01: Desigualdade social
Orson Camargo
A pobreza
é um problema que afeta a maioria dos países.
A
desigualdade social e a pobreza são problemas sociais que afetam a maioria dos
países na atualidade. A pobreza existe em todos os países, pobres ou ricos, mas
a desigualdade social um fenômeno que
ocorre principalmente em países não desenvolvidos.
O conceito
de desigualdade social é um guarda-chuva que compreende diversos tipos de
desigualdades, desde desigualdade de oportunidade, resultado, etc., até
desigualdade de escolaridade, de renda, de gênero, etc. De modo geral, a
desigualdade econômica – a mais conhecida – é chamada imprecisamente de
desigualdade social, dada pela distribuição desigual de renda. No Brasil, a
desigualdade social tem sido um cartão de visita para o mundo, pois é um dos
países mais desiguais. Segundo dados da ONU, em 2005 o Brasil era a 8º nação
mais desigual do mundo. O índice Gini, que mede a desigualdade de renda,
divulgou em 2009 que a do Brasil caiu de 0,58 para 0,52 (quanto mais próximo de
1, maior a desigualdade), porém esta ainda é gritante.
Alguns dos
pesquisadores que estudam a desigualdade social brasileira atribuem, em parte,
a persistente desigualdade brasileira a fatores que remontam ao Brasil colônia,
pré-1930 – a máquina midiática, em especial a televisiva, produz e reproduz a
ideia da desigualdade, creditando o “pecado original” como fator primordial
desse flagelo social e, assim, por extensão, o senso comum “compra” essa ideia
já formatada –, ao afirmar que são três os “pilares coloniais” que apoiam a
desigualdade: a influência ibérica, os padrões de títulos de posse de
latifúndios e a escravidão.
É evidente
que essas variáveis contribuíram intensamente para que a desigualdade
brasileira permanecesse por séculos em patamares inaceitáveis. Todavia, a
desigualdade social no Brasil tem sido percebida nas últimas décadas, não como
herança pré-moderna, mas sim como decorrência do efetivo processo de
modernização que tomou o país a partir do início do século XIX.
Junto com o próprio desenvolvimento econômico, cresceu também a miséria, as disparidades sociais – educação, renda, saúde, etc. – a flagrante concentração de renda, o desemprego, a fome que atinge milhões de brasileiros, a desnutrição, a mortalidade infantil, a baixa escolaridade, a violência. Essas são expressões do grau a que chegaram as desigualdades sociais no Brasil.
Junto com o próprio desenvolvimento econômico, cresceu também a miséria, as disparidades sociais – educação, renda, saúde, etc. – a flagrante concentração de renda, o desemprego, a fome que atinge milhões de brasileiros, a desnutrição, a mortalidade infantil, a baixa escolaridade, a violência. Essas são expressões do grau a que chegaram as desigualdades sociais no Brasil.
Segundo
Rousseau, a desigualdade tende a se acumular. Os que vêm de família modesta
têm, em média, menos probabilidade de obter um nível alto de instrução. Os que
possuem baixo nível de escolaridade têm menos probabilidade de chegar a um
status social elevado, de exercer profissão de prestígio e ser bem remunerado.
É verdade que as desigualdades sociais são em grande parte geradas pelo jogo do
mercado e do capital, assim como é também verdade que o sistema político
intervém de diversas maneiras, às vezes mais, às vezes menos, para regular,
regulamentar e corrigir o funcionamento dos mercados em que se formam as
remunerações materiais e simbólicas.
Observa-se
que o combate à desigualdade deixou de ser responsabilidade nacional e sofre a
regulação de instituições multilaterais, como o Banco Mundial. Conforme
argumenta a socióloga Amélia Cohn, a partir dessa ideia “se inventou a teoria
do capital humano, pela qual se investe nas pessoas para que elas possam
competir no mercado”. De acordo com a socióloga, a saúde perdeu seu status de
direito, tornando-se um investimento na qualificação do indivíduo.
Ou, como
afirma Hélio Jaguaribe em seu artigo No limiar do século 21: “Num país com 190
milhões de habitantes, um terço da população dispõe de condições de educação e
vida comparáveis às de um país europeu. Outro terço, entretanto, se situa num
nível extremamente modesto, comparável aos mais pobres padrões afro-asiáticos.
O terço intermediário se aproxima mais do inferior que do superior”.
A
sociedade brasileira deve perceber que sem um efetivo Estado democrático, não
há como combater ou mesmo reduzir significativamente a desigualdade social no
Brasil.
Orson
Camargo
Colaborador Brasil Escola
Graduado em Sociologia e Política pela Escola de Sociologia e Política de São Paulo – FESPSP
Mestre em Sociologia pela Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP
Colaborador Brasil Escola
Graduado em Sociologia e Política pela Escola de Sociologia e Política de São Paulo – FESPSP
Mestre em Sociologia pela Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP
Fonte:
www.brasilescola.com/sociologia/classes-sociais.htm
Texto 02:
IDH global sobe; Brasil tem
desempenho pior que vizinhos.
Matéria do site BBC Brasil, sem autoria definida.
Atualizado
em 14 de março, 2013 - 13:28 (Brasília) 16:28 GMT
Países
do 'eixo sul' estão fomentando progresso, diz relatório da ONU.
A redução na pobreza especialmente em países emergentes, como o Brasil,
tem tido um importante impacto na melhora dos indicativos de desenvolvimento
humano mundial, embora o Brasil ainda fique atrás de muitos de seus vizinhos,
informa o relatório sobre IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) divulgado pela
ONU nesta quinta-feira.
No relatório, intitulado The Rise of the South (“A
Ascensão do Sul”, em tradução livre), a ONU diz que, "na última década,
todos os países (do mundo) aceleraram seus avanços em educação, saúde e renda
medidos no IDH – de forma que nenhum país com dados disponíveis teve um IDH
menor em 2012 em comparação com 2000".
O Brasil, com IDH de 0,730 – quanto mais perto de 1, melhores os
indicadores; quanto mais perto de 0, piores eles são -, é citado como um dos
países em que "políticas pragmáticas", como distribuição de renda,
investimento na educação e avanços econômicos, ajudaram a reduzir a (ainda
alta) desigualdade social e a aumentar seu papel no comércio global.
Com sua nota pouco superior aos 0,728 medidos no relatório anterior de
IDH, o Brasil está em 85º lugar no ranking de 186 países, com indicadores
sociais piores que diversos de seus vizinhos, como Argentina, Uruguai,
Venezuela e Peru, e outros países latino-americanos, como Costa Rica, México, e
Cuba.
No relatório anterior, o Brasil ficara em 84º lugar, mas o Programa de
Desenvolvimento da ONU (Pnud), que divulga o índice, recomenda que não sejam
feitas comparações entre os relatórios, por mudanças na metodologia. Tanto que
a nota do ano anterior foi revisada de 0,718 para 0,728.
No relatório deste ano, o Brasil é elogiado pela ONU por suas reformas
para controlar a inflação, por investimentos estatais em educação e por
programas como o Bolsa Família.
Desigualdade
O IDH mede avanços sociais em expectativa de vida, educação, saúde,
renda e os recursos necessários para uma vida digna.
As melhores notas são de Noruega (0,955), Austrália (0,938) e Estados
Unidos (0,937).
As piores notas são de Níger e República Democrática do Congo (0,304),
Moçambique (0,327) e Chade (0,340), onde a expectativa de vida não passa dos 55
anos.
Apesar da melhoria global, os avanços não foram capazes de eliminar uma
grande desigualdade social na maioria dos países.
Índice de
Desenvolvimento Humano, segundo a ONU
1) Noruega - 0,955
2) Austrália - 0,938
3) EUA - 0,937
45) Argentina - 0,811
59) Cuba - 0,780
71) Venezuela - 0,748
85) Brasil - 0,730
101) China - 0,699
136) Índia - 0,554
185) Moçambique - 0,327
186) Níger e República Democrática do Congo - 0,304
Quanto mais perto de 1, mais alto é o desenvolvimento humano do país;
quanto mais perto de 0, mais baixo ele é o desenvolvimento humano desse país.
No caso do Brasil, a diferença entre ricos e pobres "abocanha"
quase um terço da nota de IDH do país. O mesmo vale para China, Índia ou
Venezuela.
Segundo a ONU, é improvável que os avanços em desenvolvimento humano
continuem caso a desigualdade - seja em gênero, em renda ou em educação -
persista.
O alerta vale também para a degradação ambiental, cujos efeitos ameaçam
o progresso social, e para as mudanças demográficas.
"A taxa de envelhecimento da população importa porque países em
desenvolvimento terão dificuldades em lidar com as necessidades de uma
população mais velha caso ainda sejam pobres", aponta a ONU.
A conclusão do relatório é de que, para aproveitar o momento de avanços
sociais, os países precisam investir em igualdade, participação social cidadã,
cuidados ambientais e em estratégias para enfrentar as mudanças demográficas.
'Ascensão do
sul'
O tema principal do relatório é a "ascensão do sul", incluindo
o crescimento econômico de países do Bric (Brasil, Rússia, Índia e China).
"Pela primeira vez em 150 anos, a produção combinada de três
economias emergentes líderes - Brasil, China e Índia - é quase igual ao PIB
combinado de potências industriais do norte, como Canadá, França, Alemanha,
Itália, Reino Unido e EUA", aponta o texto.
"Isso representa um rebalanceamento dramático no poder econômico
global."
Esses países também apresentaram avanços sociais, junto a outras nações
em desenvolvimento - a ONU cita especialmente Indonésia, África do Sul e
Turquia, além de "progressos substanciais" em Bangladesh, Chile,
Gana, Ruanda e Chile.
Uma advertência importante, porém, é a de que o crescimento econômico
não é suficiente.
"O crescimento por si só não se traduz em progresso no
desenvolvimento humano", ressalta o texto. "Políticas pró-pobres e
investimentos nas pessoas - por meio de educação, nutrição, saúde e habilidades
técnicas - pode expandir o acesso a trabalhos dignos e prover um progresso
sustentável."
Para a ONU, esse eixo sul "ainda enfrenta desafios formidáveis e
abriga muitos dos pobres do mundo. Mas mostra que políticas pragmáticas e um
forte foco no desenvolvimento humano pode abrir oportunidades latentes na
economia, ajudados pela globalização".
Fonte: BBC Brasil.
Bibliografia:
FURTADO,
Celso. Formação econômica do Brasil.
Fundo de cultura. Rio de Janeiro, 1964.
FREIRE,
Paulo. Pedagogia da autonomia – Saberes
necessários à prática educativa. Editora Paz e Terra. São Paulo, 1996.
WEBER, Max. Economia e sociedade: fundamentos da
sociologia compreensiva. Editora da UNB. Brasília, 1991.
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