O conflito na Síria


Um jovem refugiado sírio envolve-se em um cobertor grosso, parte da ajuda para sua família no inverno do norte do Iraque. Foto: ACNUR
Fonte: www.onu.org.br/siria/

Entenda a crise
O conflito na Síria continua causando sofrimento humano e destruição imensuráveis. Dados compilados pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH) indicam que pelo menos 70 mil pessoas foram mortas desde março de 2011, quando começou o levante contra o presidente Bashar al-Assad.
A estimativa é que mais de 4 milhões de pessoas necessitem de assistência humanitária urgente, incluindo mais de 2 milhões de deslocados internos. Até 18 de fevereiro, o número de refugiados sírios no Egito, Iraque, Jordânia, Líbano e Turquia já superava os 857 mil. Se o fluxo de refugiados se mantiver, a previsão é que cheguem a 1,1 milhão até junho.
A Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados Palestinos (UNRWA) estima que 400 mil palestinos refugiados na Síria (80%) precisem de assistência urgente. Cerca de 180 mil deles tiveram que fugir de Damasco por causa dos bombardeios e confrontos nos arredores.
O denso deslocamento populacional e a higiene precária aumentam o risco de piolhos, sarna, leishmaniose, hepatite A e outras doenças infecciosas. A Organização Mundial da Saúde (OMS) está monitorando a situação e oferecendo tratamento em diversas áreas do país. A estimativa é de 2,5 mil casos de febre tifoide em Deir Ez-Zor e 14 mil de leishmaniose em Hassekeh.
Muitos hospitais estão sem remédios essenciais como insulina e antibióticos. Também estão em falta equipamentos e suprimentos para anestesias e cirurgias. Acabaram também os estoques do Ministério da Saúde para tratamentos de queimados e feridos em unidades de terapia intensiva.
A OMS e o UNICEF estão trabalhando em campanhas de prevenção e fornecimento de kits laboratoriais para diagnóstico de hepatite A, além da aquisição inicial de 400 mil doses de remédio contra leishmaniose e medicamentos suficientes para tratar 6 mil casos de febre tifoide.
Para purificar a água e ajudar na prevenção das doenças, o UNICEF distribuiu aproximadamente 240 toneladas métricas hipoclorito de sódio para cerca de 20 mil pessoas em Aleppo, Ar-Raqqa, Damasco, Hama, Homs, Idleb e Damasco Rural.
O apuro das pessoas atingidas pela violência é ampliado pela falta de comida, água, combustível e a chegada do inverno rigoroso. Há cortes prolongados de luz em diversas áreas do país e o acesso a atendimento médico é severamente limitado. A insegurança está impedindo o acesso de muitas pessoas a serviços e produtos de necessidade básica.
As agências da ONU estão reforçando abrigos e distribuindo itens de inverno para milhares de pessoas. Só na terceira semana de janeiro, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) entregou roupas para 2 mil crianças em Talbiseh, além de 6,4 mil colchas. Cobertores foram entregues a mais de 15 mil pessoas em Ar-Raqqa e 25 mil em Deir Ez-Zor. Mais de 135 mil foram beneficiadas em Aleppo, Homs, Damasco Rural, Damasco e Tartous.

Três quartos das crianças estão traumatizadas pela guerra

Uma pesquisa conduzida por Turquia, Estados Unidos e Noruega mostra que três quartos das cerca de 8,4 mil crianças sírias – a maioria entre 10 e 13 anos – refugiadas no campo de Gaziantep Islahiye, na Turquia, perderam ao menos um parente no conflito.
O estudo revela que a maioria delas apresenta sinais de estresse e trauma e 44% presenciaram ao menos cinco de 11 eventos adversos associados com guerra e desastres. Metade das crianças sofre depressão e muitas estão preocupadas com familiares que permanecem no país.
Quase 1 milhão de crianças estão entre os deslocados internos na Síria e 2 milhões precisam de assistência. O UNICEF está provendo apoio psicológico para mais de 40 mil meninos e meninas.

Violência prejudica produção agrícola

A produção agrícola foi duramente comprometida com a crise, somando um prejuízo de 1,8 bilhão de dólares. De acordo com a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), só 5% dos agricultores conseguiram colher toda sua produção de trigo e cevada. Cerca de 20% dos produtores perderam inteiramente suas plantações e 55% dos pecuaristas registraram redução substancial nos estoques de gados e aves.
O programa de emergência da FAO tem objetivo de atender 20,7 mil famílias (com oito indivíduos) vulneráveis de agricultores e pecuaristas, beneficiando um total de 165 mil pessoas. Até o começo de janeiro, a FAO alcançou 8 mil pessoas com a doação de comida animal. Insumos agrícolas também foram dados a outras 4,5 mil pessoas e mais 4 mil receberam pacotes de ajuda específico para criação de aves.

Ajuda alimentar para 2,5 milhões de pessoas

O Programa Mundial de Alimentos (PMA), com apoio de parceiros, já alcançava 1,5 milhão de pessoas até o fim de 2012 – cerca de 45% delas em áreas atingidas pelo conflito. No meio de janeiro, o Governo ampliou a lista de organizações não governamentais que podem atuar juntamente com as Nações Unidas. A medida permitirá que o PMA leve ajuda a um total de 2,5 milhões de pessoas dentro da Síria até abril. O suprimento de alimentos distribuída atualmente provê mil calorias diárias por pessoa. Ela inclui 12 quilos de arroz, 3 kg de trigo, 5 litros de óleo vegetal, 3 kg de açúcar, 4 kg de leguminosas secas, 1kg de leguminosas enlatadas, 4kg de macarrão e 400g de massa de tomate.
De 5 a 18 de fevereiro, o UNICEF distribuiu biscoitos altamente energéticos para mais de 30 mil pessoas em Aleppo, As-Raqqa, Damasco, Deir Ez-Zor, Hama, Hassakeh, Idleb, Lattakia, Damasco Rural e Tartous.
O UNICEF também distribuiu alimentos e roupas infantis, kits de higiene e de primeiros-socorros, além de fogões elétricos favorecendo mais de 78 mil deslocados de Yarmouk no começo do ano. Quase 20 mil pessoas afetadas pela violência na região receberam itens não alimentícios do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR). Cerca de 6 mil deslocados de Yarmouk foram alojados em oito escolas da UNRWA e no Centro de Treinamento de Damasco.
O ACNUR também ofereceu assistência a cerca de 25 mil deslocados internos em Homs, Hama, Hassakeh, Ar-Raqqa e Aleppo de 25 de dezembro a 7 de janeiro. Nessas cidades, o UNICEF entregou kits de higienes a ONGs locais, alcançando 23 mil pessoas. Nas semanas seguintes, até 22 de janeiro, o ACNUR beneficiou mais 100 mil pessoas nas mesmas regiões. Em 13 de fevereiro, foram mais mil tendas e 15 mil cobertores distribuídos na área de Bab Al Hawa, Aleppo.
Três dias depois, um comboio de diversas Agências da ONU levou alimentos, colchões, cobertores, colchas, kits de higiene, roupas infantis e kits escolares de recreação para 6 mil pessoas em Karameh, Idlib.

ONU distribui mais de 6 milhões de dólares em ajuda financeira emergencial

Desde 16 de dezembro, o ACNUR tem oferecido ajuda em dinheiro a deslocados internos e famílias de refugiados palestinos em Damasco e Hassakeh. Mais de 73 mil pessoas já foram beneficiadas. Durante o mês de dezembro, a UNRWA também distribuiu mais de 5 milhões de dólares em assistência financeira emergencial para 94 mil palestinos em Damasco. Em janeiro, mais 23 mil foram beneficiados com 1 milhão de dólares.

UNFPA leva atendimento de saúde gratuito a milhares de grávidas

A resposta do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) para a crise em Yarmouk inclui equipamentos e suprimentos médicos de obstetrícia para atender a 1,8 mil grávidas. Também distribuiu vouchers para atendimento gratuito sobre saúde reprodutiva a 3 mil deslocados internos.
Em outras áreas do país, o UNFPA ofereceu cuidados obstétricos emergenciais a 8,5 mil mulheres. Kits de higiene foram entregues a 20 mil pessoas em Hassakeh e Damasco, incluindo a área rural da capital. Equipamentos médicos foram entregues ao Ministério da Saúde para o atendimento de saúde reprodutiva e serviços de planejamento familiar em apoio a cerca de 180 mil mulheres em Damasco, Aleppo, Idlib, Homs e Ar-Raqqa até 22 de janeiro. Entre 5 e 18 de fevereiro, mais 60 mil foram beneficiadas em saúde reprodutiva e 150 mil em planejamento familiar.
Cerca de 2 mil mulheres de Deir Ez-Zor receberam kits de higiene do UNFPA entre 8 e 22 de janeiro. O UNICEF já havia distribuído, de 25 de dezembro a 7 de janeiro, 10 mil kits obstétricos e emergenciais de saúde em Hassakeh.
De 5 a 18 de fevereiro, 4,4 mil mulheres foram assistidas em Aleppo, Homs e Damasco Rural com serviços de apoio psicológico.

Apelo é por 1,5 bilhão de dólares para o primeiro semestre de 2013

O plano de resposta humanitária para a Síria requer 519 milhões de dólares para cobrir 61 projetos em dez setores durante o primeiro semestre de 2013, mas apenas 20% foi empenhado até 18 de fevereiro. As agências da ONU e seus parceiros humanitários ajudarão 4 milhões de pessoas, dedicando-se primeiramente à assistência emergencial vital. Isso inclui distribuição de alimentos, água, abrigo, atendimento médico e serviços sanitários.
Em 2012, apenas 55% da ajuda solicitada foi financiada, totalizando uma arrecadação de 191 milhões de dólares, quando o necessário era 348 milhões.
Já o plano de resposta regional para refugiados pede 1 bilhão de dólares para apoiar 1,1 milhão de refugiados sírios no Egito, Iraque, Jordânia, Líbano e Turquia no primeiro semestre de 2013. Até 18 de fevereiro, porém, apenas 19% foi financiado. O programa inclui refugiados e solicitantes de refúgio que vivem na Síria e 20 mil refugiados palestinos que fugiram da Síria para o Líbano.
No ano passado, a resposta humanitária aos refugiados também foi subfinanciada. Dos 488 milhões de dólares solicitados, apenas 248 milhões chegaram, atendendo a cerca de 69% das necessidades.
O Fundo de Resposta Emergencial para a Síria recebeu, até 18 de fevereiro, 36,5 milhões de dólares – dos quais 11,3 milhões foram alocados.
Em 30 de janeiro, uma conferência de doadores foi realizada no Kuweit com a participação de mais de 60 países, que se comprometeram a doar o total de 1,5 bilhão de dólares para minimizar a crise humanitária.

Missão de observadores e escritório de contato da ONU

Como a persistência do combate na Síria, as condições para dar continuidade à Missão da ONU de Supervisão na Síria (UNSMIS) no país não foram satisfeitas, anunciou em agosto de 2012 o Subsecretário-Geral de Operações de Paz, Edmund Mulet. Os 15 membros do Conselho de Segurança da ONU, no entanto, concordaram neste mesmo mês com a criação de um escritório de contato para apoiar os esforços de uma solução política para o conflito e o respeito dos direitos humanos.
Veículo da ONU foi danificado por uma multidão enfurecida em El-Haffeh, Síria, ao tentar acessar a cidade (ONU/ David Manyua)
Inicialmente criada em abril de 2012 para durar 90 dias – por meio da resolução 2043 –, o mandato da UNSMIS foi prorrogado por mais 30 dias no final de julho, quando o Conselho aprovou a resolução 2059.
Essa resolução também indicou que uma renovação posterior a este prazo só seria possível se fosse confirmado que o uso de armas pesadas houvesse cessado e uma redução da violência por todos os lados era necessário para permitir à Missão implementar o seu mandato, o que não ocorreu.

Representante Especial tenta saída negociada pacífica para a crise

Em fevereiro de 2012, o ex-Secretário-Geral das Nações Unidas Kofi Annan (na foto abaixo, à esquerda) foi anunciado como o enviado especial da Missão Conjunta da Liga Árabe e da ONU para a Síria. Annan, que havia ocupado o cargo máximo da Organização entre 1997 e 2006, se tornou à época Alto Representante da ONU e da Liga Árabe para resolver a crise e será apoiado por um Vice-Representante. “O enviado especial proporcionará bons ofícios destinados a pôr fim a toda a violência e violações dos direitos humanos, e promover uma solução pacífica para a crise da Síria”, afirmou o comunicado conjunto no dia 23.
Kofi Annan, Ban Ki-moon e Lakhdar Brahimi (UN Photo/Devra Berkowitz)
No dia 2 de agosto do mesmo ano, no entanto, Annan renunciou ao cargo após tentativas frustradas de aplicar o chamado Plano de Seis Pontos, que pede o fim da violência, o acesso de agências humanitárias para o fornecimento de apoio à população civil, a libertação dos detidos, o início de um diálogo político inclusivo e livre acesso ao país para a mídia internacional.
Em seu lugar, as duas organizações apontaram no dia 17 de agosto de 2012 o diplomata veterano argelino Lakhdar Brahimi (à direita) como novo facilitador da paz na região. Brahimi deve assumiu a função no dia 31 de agosto, quando terminou o mandato de Annan, e desde então tem feito esforços constantes para uma saída negociada pacífica para a crise.

Como ajudar

Você pode fazer doações para duas das diversas agências que estão atuando no país: o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) — clique aqui para acessar — ou para o Programa Mundial de Alimentos (PMA) da ONU — clique aqui para acessar.

Fonte: www.onu.org.br/siria/