domingo, 21 de abril de 2013

Aula: 0501 – O universo do conhecimento.






Tema da aula: O conhecimento escolar.

Título: As modalidades de conhecimento e a diferença entre Informação e conhecimento

Ênfase: A importância da construção do conhecimento escolar e os prejuízos causados pelo excesso de informação midiática e pelo uso indevido de aparelhos celulares/eletrônicos em sala de aula.

Conteúdos:
As diferenças conceituais e práticas entre informação e conhecimento;
Os efeitos negativos dos meios eletrônicos em crianças, adolescentes e adultos.

Objetivos:
O objetivo central desta aula é discutir com os alunos os prejuízos para os mesmos e para toda comunidade escolar, do uso indevido de aparelhos celulares/eletrônicos (especialmente aqueles com acesso á internet e ás redes sociais) na sala de aula.
Os demais objetivos desta aula são: (01) desconstruir a ideia ou o conceito do censo comum de que: “por vivemos na era da informação ou do conhecimento, toda informação é importante, urgente e/ou necessária”. (02) esclarecer a diferença entre informação e conhecimento, (03) discutir com os alunos a necessidade do estabelecimento de foco e de prioridades individuais na busca do conhecimento.

Metodologia: 
A metodologia utilizada em todas as aulas será baseada na no conceito da Pedagogia da Autonomia de Paulo Freire.
As aulas serão desenvolvidas basicamente através da apresentação e da discussão de tópicos onde os alunos serão convidados a refletir sobre cada um deles, a partir de sua realidade, de seus conceitos, de suas representações (visão de mundo) e expectativas.
A internet será utilizada como ferramenta de apoio para as aulas dadas em sala, através do blog sociologiamaisqueeventual.blogspot.com que conterá: arquivo dos conteúdos discutidos em sala, materiais complementares e espaço para críticas.
Todos os alunos serão convidados a participar compartilhando conteúdos, esclarecendo dúvidas, exercitando a crítica, etc.

Avaliação: Continuada

Tempo estimado: Uma hora aula

Textos básicos:

Texto 01:

Informação x Conhecimento

Ana Claudia Silva Barbosa

Muito se discute hoje a respeito da nossa sociedade, que vive na era do conhecimento. A grande questão é: era da informação ou era do conhecimento?
Para tanto, faz-se necessário refletirmos a respeito da semântica das palavras e compreendermos o significado de maneira mais ampla.
O Dicionário Brasileiro da Língua Portuguesa (1990) traz a definição de informação como “ato ou efeito de informar; transmissão de notícias; comunicação”.
Já a palavra conhecimento significa, segundo a mesma fonte, “ato ou efeito de conhecer; faculdade de conhecer; consciência da própria existência (...)”.
Para entender um pouco mais, basta buscarmos referência na origem das palavras.
Do Latim “Com – junto” mais “Gnoscere – obter conhecimento, chegar a saber”, formando então a palavra “Cognoscere – conhecer, saber”.
A palavra informação também se origina do latim “informatio,onis – delinear, conceber ideia", ou seja, dar forma ou moldar na mente.
Desta forma, a significação das palavras traz indícios de diferenças entre informação e conhecimento.
Mas, o que isso interfere na nossa Educação?
Com o avanço tecnológico e, consequentemente do acesso à informação, que veicula em velocidade extraordinária no cenário global, é importante colocarmos que as informações estão acessíveis em todo lugar, não necessariamente em lugar estático, como em anos anteriores.
Das ruas, escolas, shoppings, enfim, é possível ter disponível informação do mundo todo com rapidez.
Considerando os conceitos aqui tratados, observa-se que conhecimento é algo que vai além da informação.
É algo que envolve uma ação, pois se constrói conhecimento a partir de uma informação recebida.
Segundo estudos realizados por Luckesi (1996), adquirir conhecimentos não é compreender a realidade retendo informação, mas utilizando-se desta para desvendar o novo e avançar, porque quanto mais competente for o entendimento do mundo, mais satisfatória será a ação do sujeito que a detém.
Sendo assim, as informações facilitam no processo de cognição, mas, por si só não realizam efetivamente o conhecimento.
Pensando na utilização das tecnologias como importante recurso no processo de ensino aprendizagem, pode se considerar que o papel do professor como mediador das informações é extremamente importante para a construção do conhecimento dos alunos, considerando ser fundamental a participação cooperativa das pessoas na dinâmica do conhecimento.
Segundo Fernandes (2001), “acesso, informação e conhecimento são entidades cada vez mais vitais em um mundo altamente competitivo e conectado, e quem não as conseguir estará inexoravelmente à margem de oportunidades”.
Desta forma, vale ressaltar que os educadores têm “em mãos” valiosos recursos tecnológicos, que facilitam o acesso às informações, trazendo grandes benefícios no processo de apropriação do conhecimento dos alunos. Mas é indispensável à participação compartilhada destes, para que a informação seja “transformada” em conhecimento a favor da Educação.

Referências:
Dicionário Brasileiro da Língua Portuguesa. Enciclopédia Britânica do Brasil. 12ª Edição. 1990. Companhia Melhoramentos de São Paulo.

FERNADES, A. Administração inteligente. São Paulo: Futura, 2001
LUCKESI, C. C. e PASSOS, E.S. Introdução à filosofia: aprendendo a pensar. São Paulo: Cortez, 1996.

Ana Claudia Silva Barbosa é coordenadora do Programa Informática Educacional no município de Guaratinguetá, São Paulo, que se dá em parceria entre a Secretaria de Educação e a empresa Planeta Educação


Texto 02:

EFEITOS NEGATIVOS DOS MEIOS ELETRÔNICOS EM CRIANÇAS, ADOLESCENTES E ADULTOS.

Valdemar W. Setzer

Depto. de Ciência da Computação, Instituto de Matemática e Estatística da USP

www.ime.usp.br/~vwsetzer

Original de 12/08; versão 15.2 de 9/2/13

0. Introdução
O número de 11/1/06, ano 39, Nº 1, ed. 1938, da revista Veja traz uma matéria de capa anunciando, nesta, "Ginástica para o cérebro – ao contrário do que se imagina, TV e videogame [sic] podem ajudar seu filho a ficar mais inteligente". A matéria propriamente dita, nas páginas 66 a 75, tem o título "Imersos na tecnologia – e mais espertos." Reagindo a essa matéria, escrevi um longo artigo, intitulado "Uma matéria de capa, educacionalmente maléfica, da revista Veja", disponível em meu site. Nele, eu critiquei essa matéria parágrafo por parágrafo, mostrando que todos os benefícios apontados para os meios eletrônicos eram falaciosos. No item 4 desse artigo interrompi a análise dos parágrafos e expus várias pesquisas que corroboravam minhas afirmações, mostrando os efeitos negativos da TV, dos jogos eletrônicos, do computador e da Internet em crianças e adolescentes, sendo que os dois últimos foram tocados apenas de leve, pois não eram tratados no artigo da Veja. Naquele item ainda expus várias de minhas justificativas para os resultados das pesquisas estatísticas. Minha ideia, quando escrevi o artigo, era manter aquele item sempre atualizado com dados de novas pesquisas. Infelizmente, outras tarefas impediram-me de concretizar esse último desígnio. Além disso, o artigo já estava muito longo, de modo que sua leitura foi certamente uma tarefa realizada na íntegra por poucos de meus leitores. Resolvi, então, extrair aquele item 4 e, baseado nele, escrever o presente artigo, que contém várias extensões.
Este trabalho acadêmico complementa os inúmeros artigos e livros que escrevi sobre meios eletrônicos e educação, pois neles eu fiz referência a poucas pesquisas científicas, e nenhuma das mais recentes (Setzer 2005, ver também artigos em meu site). No entanto, aqueles artigos contêm considerações conceituais que são apenas levemente cobertas neste trabalho. Assim, eles complementam-se mutuamente. Baseado no presente artigo, que engloba todos os meios eletrônicos, escrevi outro, apenas sobre os efeitos negativos da televisão, "A TV antieducativa". No entanto, esse último contém dados de várias pesquisas não citadas no presente artigo, de modo que o complementa em vários pontos, como por exemplo o fato de, devido à TV, crianças estarem falando cada vez menos.Alguns leitores podem estranhar o fato de eu abordar aqui praticamente apenas efeitos negativos dos meios eletrônicos. De fato, não há nada de 100% bom ou 100% mau no mundo. Uma pessoa em uma de minhas palestras disse o seguinte: "Meu filho aprendeu inglês jogando vídeo games, isso não é bom?" Claro que é, só que, em face dos enormes prejuízos causados por esses jogos, a minha resposta foi: "Mas não há outros meios mais sadios de se aprender inglês?" Como veremos aqui, os efeitos negativos daqueles meios são tão extensos e profundos, que posso fazer com segurança a seguinte afirmativa: os prejuízos causados em crianças e adolescentes pelos meios eletrônicos ultrapassam infinitamente os benefícios. No caso de adultos, devido à maturidade, conhecimento, autoconsciência e autocontrole que eles têm (ou deveriam ter), os prejuízos poderiam ser evitados. Mas, como a TV mostrou, e a Internet está mostrando, mesmo com adultos talvez minha afirmativa seja válida. Acontece que quase todas as pessoas que discutem os meios eletrônicos os elogiam, num verdadeiro entusiasmo pelas novas tecnologias. Alguém deveria chamar a atenção para o lado negativo; é nesse nicho que entrei, com a esperança de conscientizar as pessoas para os enormes males causados por eles; dou grande ênfase às consequências dos usos dos aparelhos por crianças e adolescentes, que estão literalmente sendo destruídos física e psicologicamente por eles. Ninguém duvida hoje que estamos destruindo a natureza; mas pouquíssimos percebem que há em curso uma verdadeira destruição dos seres humanos. Uma das maneiras mais seguras de destruir a humanidade é destruir as crianças e os adolescentes. Como veremos aqui, isto está em franco desenvolvimento.

Aqui estão listados os link"s dos  prejuízos apontados pela pesquisa do uso indevido ou excessivo de aparelhos celulares/eletrônicos:

1. Excesso de peso e obesidade
2. Riscos para a saúde
3. Problemas de atenção e hiperatividade
4. Agressividade e comportamento antissocial
5. Depressão e medo
6. Intimidação a colegas (bullying)
7. Indução de atitude machista
8. Dessensibilização dos sentimentos
9. Indução de mentalidade de que o mundo é violento e violência não gera castigo
10. Prejuízo para a leitura
11. Diminuição do rendimento escolar e prejuízo para a cognição
12. Confusão de fantasia com realidade
13. Isolamento e outros problemas sociais
14. Aceleração do desenvolvimento
15. Prejuízo para a criatividade
16. Autismo
17. O problema do vício
18. Indução ao consumismo
19. Problemas causados pela Internet

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