quarta-feira, 8 de maio de 2013

Aula 0602: O jovem: um ser novo num mundo velho

Tema da aula: Conflitos sociais.

Título: O jovem: um ser novo num mundo velho.

Ênfase: A escola como espaço privilegiado de conflitos.

Conteúdos:
As diferenças conceituais e teóricas entre os termos: conflito e violência, violência simbólica e violência "real" ou física;
A escola como uma estrutura, estruturada e estruturante da sociedade em que está inserida, e que por isso carrega seus vícios, virtudes e contradições;
O paradoxo contido na função socializadora da escola: formar para o mundo do trabalho (formação competitiva) e formar para o exercício da cidadania plena (formação colaborativa).
A educação fordista/bancária no mundo da tecnologia: uma crise do modelo;
O jovem: um ser novo num mundo velho. O conflito geracional;
A busca (do jovem) pelo poder como uma necessidade biológica e política;
A personalidade individual e a personalidade coletiva. O retorno ao estado de animalidade.

Objetivos:
O objetivo central desta série de quatro aulas é discutir com os alunos o pressuposto de Rousseau de que viver em sociedade é viver (necessariamente) cercado por conflitos, e que a escola, como espaço privilegiado de socialização dos jovens, carrega, além dos conflitos da sociedade, o conflito geracional.
O objetivo específico desta 2ª aula é produzir um debate em torno do papel do jovem brasileiro na sociedade contemporânea, com base numa produção teórica bastante recente sobre o tema.

Para iniciar esta aula serão recuperados os conteúdos das aulas: 0202, 0203, 0204, 0301, 0401 e 0601.

Metodologia:
metodologia utilizada em todas as aulas será baseada na no conceito da Pedagogia da Autonomia de Paulo Freire.
As aulas serão desenvolvidas basicamente através da apresentação e da discussão de tópicos onde os alunos serão convidados a refletir sobre cada um deles, a partir de sua realidade, de seus conceitos, de suas representações (visão de mundo) e expectativas.
A internet será utilizada como ferramenta de apoio para as aulas dadas em sala, através do blog sociologiamaisqueeventual.blogspot.com que conterá: arquivo dos conteúdos discutidos em sala, materiais complementares e espaço para críticas.
Todos os alunos serão convidados a participar compartilhando conteúdos, esclarecendo dúvidas, exercitando a crítica, etc.

Avaliação: Continuada.

Tempo estimado: Uma hora aula

Bibliografia básica da aula:

FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia – Saberes necessários à prática educativa. Editora Paz e Terra. São Paulo, 1996.
ROUSSEAU, Jean Jacques. Do Contrato Social. São Paulo: Martin Claret, 2007.


Texto base:

Paper de José Antonio Martins Prestes, apresentado na conclusão da disciplina Sociologia da Juventude na UFSC no primeiro semestre de 2012.


O mundo pertence aos jovens. Será?


São vários os significados da palavra juventude. Em uma rápida pesquisa pelos dicionários, pode-se verificar facilmente isso. O significado mais freqüente da conta de que a juventude é um período de passagem da infância para a vida adulta, associando essa fase cronologicamente à adolescência. Alguns significados encontrados dizem muito pouco ou acabam confundindo mais que esclarecendo o pesquisador menos avisado: quadra da vida em que se é jovem, a gente moça, mocidade, os jovens, parte da vida entre a adolescência e a idade viril, o antônimo de velhice, estado de uma pessoa jovem, entre outros. Pois bem, a maioria absoluta dos significados encontrados dão conta da juventude como um período cronológico que coincide com importantes mudanças biológicas, sem se preocupar com os aspectos políticos ou sociológicos que estão embutidos nesta questão, e é disso que pretendo tratar nesse meu ensaio com base nos textos e nas discussões apresentados em sala de aula na disciplina Sociologia da juventude com contribuições diversas. Sem desconsiderar que a juventude é um período temporal de transformações não só no corpo e na forma desse jovem se ver e ver o mundo, mas também de se posicionar diante da desconstrução do seu mundo lúdico e da construção do seu mundo “real” (ao mesmo tempo).

Outro ponto importante a esclarecer é que minha preocupação neste trabalho recai sobre o jovem contemporâneo, suas perspectivas, suas formas e ferramentas de ação e de manifestação sobre o estado das coisas, e o estágio de desenvolvimento do capitalismo como sistema dominante (senão hegemônico no planeta) e suas conseqüências. Neste sentido, parto do princípio que o acesso às novas tecnologias (de informação e de interação de uma forma geral e à internet de uma forma específica), é a grande novidade.

Embora a maioria absoluta dos jovens se angustie diante da chegada da fase adulta e das responsabilidades e possibilidades que ela traz, é certo que somente uma parcela desses jovens se dispõe a questioná-la. Desse grupo, apenas uma parte se dispõe a contestá-la. Desse último grupo, uma parcela ainda menor, se dispõe a contestá-la fora da ordem estabelecia. Há ainda os que preferem o universo das drogas como um refúgio de uma realidade que preferem nem aceitar nem contestar. Esse último grupo não será objeto de análise neste trabalho.

Mas de que ordem afinal estamos falando? Da ordem capitalista. Ordem essa que tem a competição, o consumismo, a degradação do meio ambiente, o lucro e o individualismo como algumas de suas principais bases de sustentação econômica. O liberalismo político como base de sustentação política (pelo menos nos países sede do capitalismo), a desigualdade e a injustiça como resultados inevitáveis no campo social e a degradação da natureza como resultado no campo ambiental.

O capitalismo como um sistema estrutural, estruturado e estruturante nos termos de Bourdieux tem sido alvo de críticas desde seu surgimento, não obstante, tem sobrevivido e avançado inclusive para países que construíram outras formas de produzir e de distribuir bens e serviços: como exemplos temos a Rússia (e posteriormente os países que formaram a extinta União Soviética), que adotou um capitalismo de mercado logo após o desastre de sua experiência socialista. E a China, que está em um profundo processo de transição de um capitalismo de Estado, para um agressivo capitalismo de mercado.

Ser um cidadão novo num mundo velho é - para muitos jovens - receber uma espécie de “herança maldita”. Um mundo cheio de injustiças, de violências, de degradações, de desrespeitos, mas, principalmente, de regras que têm simplesmente que obedecer sem discussão, porque isso já foi feito pelas gerações anteriores que as instituíram. Alguns dos novos herdeiros acreditam ter o direito e o dever de modificar o rumo do mundo que estão recebendo, atacando o que entendem como a origem da maioria dos problemas: no caso atual o capitalismo. Porém, a transferência do poder aos jovens está somente na ordem do discurso, ou, como ocorreu varias vezes ao longo da história recente, na ordem da manipulação política da moratória vital que os jovens possuem. Na prática, as gerações antecedentes ainda continuam no poder por décadas antes de transferi-lo gradativamente e seletivamente aos mais novos, não necessariamente aos jovens. Para os jovens que não possuem a moratória social, apesar da indignação e da vontade de agir, resta-lhes apenas a opção de incorporar-se ao sistema vigente. Para aqueles que a possuem, abrem-se outras possibilidades, uma delas é a luta contra o sistema, alguns dentro da legitimidade, outros fora dela.

Na modernidade construímos a idéia que os partidos políticos dariam conta de defender os interesses e as necessidades das classes e categorias sociais menos favorecidas e que os sindicatos lutariam pelos interesses dos trabalhadores contra a ganância capitalista. O que vimos nas últimas décadas do século passado foi a utilização, tanto dos partidos quanto dos sindicados como instrumento de ascensão e de manutenção do poder e o uso da política, não como uma ferramenta de emancipação social, mas como uma ferramenta para beneficiar uma elite, em detrimento da exploração dos mais pobres.

Certamente existem vários fatores que contribuíram para que os sindicatos e os partidos políticos perdessem ao longo dos últimos 40 anos o papel de representação e de elemento de convergência para a luta política, tanto no universo do trabalho quanto no universo político institucional, se é que um dia os detiveram. Apesar da importância deste fenômeno, meu objetivo aqui não é discuti-lo, cito-o apenas para dizer que o vazio deixado por essas instituições foram ocupados gradativamente por outras formas de “representação e de manifestação”: É o caso dos veículos de comunicação de massa, (especialmente a televisão), que através da imprensa acabaram ocupando de forma bastante peculiar os espaços deixados ou não ocupados pelos partidos e, ou, sindicados, tanto na crítica ao status quo quanto na luta política. É impossível deixar de frisar aqui que, novamente esses grandes veículos de informação de massa, em sua maioria controlados pelos próprios Estados e dominados pela elite econômica, também usaram essa nova ferramenta como instrumento de controle e de manipulação.

A grande novidade dos nossos dias esta nas novas tecnologias de informação e na disseminação da internet, especialmente na formação das redes sociais (que permitem a interação entre os seus membros, na imensa maioria, jovens), como fator preponderante na organização de manifestações de protestos promovidos pelos jovens em diversas partes do mundo.

A internet e as suas redes sociais são de fato os elementos novos que permeiam as gerações do século XXI, totalmente integradas a essas novas tecnologias e ferramentas que têm, na liberdade de expressão e na possibilidade de interatividade, os seus grandes trunfos.

Seria muito difícil imaginar, por exemplo, os recentes acontecimentos nos países do oriente médio e do norte da África, a chamada “primavera árabe”, sem a existência da internet e das redes sociais. Aqui é preciso fazer uma ressalva sobre os recentes protestos no mundo árabe. Embora haja elementos comuns nos protestos, como as críticas ao capitalismo e, ou, suas conseqüências, e a participação preponderante dos jovens, as motivações variaram muito nos diferentes países em que ocorreram, tais como: fatores demográficos estruturais, desemprego, corrupção, autoritarismo, militarização, etc.

Praticamente todas as manifestações de protestos deste século envolvendo a participação preponderante de jovens tiveram a internet e as redes sociais como meio de convergência, de discussão, de arregimentação e de planejamento.

Mas seria a internet o veículo e as redes sociais as ferramentas de contestação social e de atuação política dos jovens contemporâneos? A meu ver sim e de uma forma autônoma e independente. Essa é outra novidade importante. A internet possibilita a interação dos jovens com os jovens sem as restrições, as intermediações ou as interferências, seja institucional ou geracional, pelo menos nos países capitalistas, com o mínimo de liberdade de expressão.

Quanto as perspectivas dos jovens contemporâneos penso que existe ainda um grande caminho a ser percorrido. Mas o fato dos jovens poderem se comunicar entre si e com a sociedade sem a interferência ou a tutela de terceiros e poderem atuar em ações diretas representa um grande avanço.

Para a Professora Janice Tirelle Ponte de Sousa os jovens contemporâneos têm outras peculiaridades a começar pelo modelo em crise em que são educados. Segundo ela os nossos jovens estão entrando no mercado de trabalho cada vês mais tarde enquanto os adultos estão saindo cada vês mais cedo. Segundo ela, citando Groppo (2000), há também uma expectativa de vida mais longa. Janice lembra que mesmo os jovens sendo “controlados” por adultos ou sendo objeto de seus projetos institucionais não anula nem elimina sua capacidade de autonomia e de contestação ao velho.



Para a Janice “...as manifestações coletivas dos jovens são críticas a práticas políticas tradicionais e se revelam diferenciadas no cenário dos movimentos sociais” p. 270. Ela parte da hipótese de que os jovens estão isentos de pragmatismos e que suas convicções possuem conteúdos ético e ideológico.

Para a Socióloga, os jovens estão criando novos modos de organização da vida cotidiana, novas formas de contestação contra-institucionais e contra a ordem. Os jovens contestam principalmente a instrumentalização da política como forma de se chegar e se manter no poder, aos invés de olhar a política como uma ferramenta de emancipação e de transformação social. Na medida em que a política é pensada somente na esfera da disputa, isso limita a sua dimensão contestatória. Porém, a autora lembra que é apenas uma parte dos jovens que está lutando pelo resgate do valor de uso da política (ao invés de se conformarem com a política como uma mercadoria, onde o que interessa é seu valor de troca), invertendo assim uma prática consolidada na modernidade, da política como instrumento para se ter o poder por si mesmo. Para a autora, o sentido emancipador da política só existe quando ela é reflexiva e está orientado para produzir o durável, a comunidade e não para servir apenas a quem interessa.

Para Janice a participação política do jovem brasileiro ainda é efetivamente muito pequena. Apesar de difusa é crescente. Dos que contestam, muitos o fazem através da cultura, especialmente do hip-hop, do break, do grafite e do rap. Essas manifestações são encontradas principalmente entre os jovens das periferias dos grandes centros urbanos. Em sua maioria, negros ou “pardos” que usam sua arte não só como uma manifestação cultural mas também como instrumento de crítica social e prática política fortemente engajados, onde se propõe uma mudança de atitude desses jovens marginalizados. Embora esses grupos ou esses movimentos gozem de uma grande autonomia, em alguns casos existe a “infiltração” ou a participação de partidos de esquerda.

Quando a autora trata do movimento estudantil (os jovens contestadores institucionalizados), ela enfatiza a forte ligação desses movimentos com partidos políticos.

Ao tratar dos jovens contestadores independentes, a autora coloca que esses jovens atuam em causas variadas: locais, nacionais ou internacionais, com temas muito diversos. Eles se organizam em coletivos horizontais, geralmente não estão ligados a partidos políticos, atuam em rede, são críticos a ação política tradicional e buscam novas formas e espaços de intervenção para contestarem a globalização do capital. Pensam globalmente e agem localmente. São grupos descentralizados onde a adesão a ação direta é um ponto em comum, se organizam horizontalmente através da internet, agem no plano simbólico e ideológico e tendem a se estender ao redor do mundo. De uma forma geral, têm o capitalismo como principal alvo dos seus protestos por considerá-lo um modelo que deve ser extinto e não humanizado ou revisto.

O texto de Mario Dominguez e Miguel Ezquiaga “Cuando La radia prende” trata das recentes manifestações ocorridas na Inglaterra por conta do neoliberalismo preponderante desde o Governo de Margaret Tatcher. O autores iniciam o texto fazendo uma crítica á visão e a condução neoliberal sócio-política da “Dama de Ferro” que levaram a Inglaterra à desindustrialização e à terceirização e que produziram desemprego, pobreza e violência para os mais pobres em detrimento do maior enriquecimento das “classes” mais abastadas.

Com o aumento da violência, especialmente entre os mais jovens (mas também os mais pobres e os mais desamparados socialmente como os imigrantes), os governantes ingleses importaram dos Estados Unidos a política da “Tolerância Zero”, acirrando ainda mais os conflitos. Não demorou para que se iniciasse uma seqüência de assassinatos de jovens ingleses por seus policiais.

Os autores lembram que os conflitos tiveram como pano de fundo o preconceito, a discriminação e o racismo dos ingleses para com os diversos grupos de imigrantes que habitavam os bairros pobres de Londres, e que muitos desses conflitos se deram no interior desses bairros, embora o principal motivo dos conflitos fosse uma luta de classes e o protesto contra o neoliberalismo inglês.

Para Mario Dominguez e Miguel Ezquiaga a política de tolerância zero nada mais era do que a criminalização e a penalização da miséria, que tratava das questões sociais com a lógica policial, que confundiam a violência horizontal com a violência vertical.

Segundo os autores a imprensa inglesa abordou as revoltas classificando-as como comportamentos irracionais das massas. Os sociólogos entenderam que as raízes dos conflitos estavam na falência da política do bem estar social. Para os antropólogos os motivos estavam no desaparecimento da ilusão da ascensão social. Para os filósofos existia uma crise de valores na sociedade inglesa, especialmente aos valores que essa sociedade transmitia aos jovens. Para a psicologia social a raiz dos problemas estava no processo de desindividuação em que na multidão, a capacidade do indivíduo de sentir empatia e culpa se dilui. Porém para Mario Dominguez e Miguel Ezquiaga, as causas dos conflitos são políticas. Provocadas pela desigualdade social acirrada pelo corte de verbas dos programas sociais, onde a violência é apenas uma forma de expressão legítima de uma “classe” sem voz.

Neste sentido, Mario Dominguez e Miguel Ezquiaga discutem a possibilidade do aumento escalar da violência e o fato de que os dois lados se fazem de vítima da violência um do outro e que dizem estar apenas se defendendo. Os manifestantes, como já foi dito acima, consideram legítimo o uso da violência como forma de expressão política, a polícia e os demais órgãos de repressão justificam suas ações como obrigação pela manutenção da lei e da ordem.

Os autores encerram o texto atribuindo ao capitalismo, na sua forma mais avançada, o capitalismo financeiro (que não necessita do bem estar de grande parte da população), a raiz de todos os problemas.

Parece-me haver uma interessante contradição entre a eleição do capitalismo como o principal agente causador dos problemas sociais e ambientais contemporâneos (tanto na visão dos protestantes mundo à fora como na nas “entrelinhas” dos textos dos acadêmicos citados), e a ascensão do capitalismo para um sistema econômico hegemônico global. Essa contradição me parece ainda mais interessante se olharmos atentamente para as várias tentativas fracassadas de construção de alternativas ao capitalismo no século passado, que não resolveram minimamente a desigualdade, as injustiças, a degradação ambiental e ainda proibiram toda e qualquer manifestação crítica, especialmente as dos jovens. Pelo menos dois exemplos ainda persistem como regimes anticapitalistas que proíbem totalmente os seus jovens de se manifestarem criticamente, proibindo inclusive o acesso livre á internet, são eles Cuba e Coréia do Sul.

Apesar de concordar com os autores em suas análises e suas críticas ao capitalismo, não vejo no socialismo uma alternativa, especialmente para as questões relacionadas à miséria, à discriminação e à liberdade de expressão.

Para mim a principal diferença entre o capitalismo e o socialismo é o fato que o capitalismo ainda permite alguma crítica, mesmo que para o seu próprio benefício.


José Antonio Martins Prestes é graduando em Ciências Sociais pela UFSC.


Bibliografia:

BOURDIEUX, Pierre. A juventude é apenas uma palavra. In: BOURDEUX, P. Questões de Sociologia. Rio de Janeiro: Editora Marco Zero,1983.

DOMINGUES, Mario e ESQUIAGA, Miguel. Cuando La rabia prende. In: SOUSA, Janice T. Ponte e GROPPO, Luiz Antonio. Dilemas e contestações da juventude – No Brasil e no Mundo. Editora Em Debate.: Florianópolis, 2011. WWW.editoraemdebate.ufsc.br

SOUSA, Janice T. Ponte. As insurgências juvenis e as novas narrativas políticas. In: Jovenes – revista de estúdios sobre juventud, 9 (22)México, Df, Jan-jan, 2005, pp.268-297.

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